Como uma criança que cresceu no vilarejo Poplar, na reserva indígena Fort Peck, Chaske Spencer passou muito de seu tempo na penumbra das salas de cinema, prestando bastante atenção aos seus heróis das telas, Sean Penn e Nick Nolte.
“Eu não sabia que seria ator, mas eu gostava de assistir a filmes”, Spencer disse numa entrevista por telefone com o Tribune na semana passada, da cidade de Nova Iorque.
Agora, o mundo está assistindo-o.
Depois de interpretar papéis em filmes menores e series de TV, Spencer capturou o papel do líder do wolf pack, Sam Uley, no mais recente filme da saga Twilight, “The Twilight Saga: New Moon.”
Em seu dia de estreia, na sexta passada, o filme abocanhou o recorde de mais renda doméstica em um dia, arrecadando estimados $72,7 milhões. “Batman: O Cavaleiro das Sombras” detinha o recorde anteriormente, com $67.2 milhões. Sua semana de estreia foi a terceira maior da história, com renda doméstica de $142 milhões. Os fanáticos fãs da franquia lotaram os cinemas, alguns ficando na fila por horas.
Apesar da euforia cercando a série adolescente de fantasia e drama, que é uma adaptação dos populares livros de Stephenie Meyer sobre uma garota humana que se apaixona por um vampiro, Spencer está levando numa boa sua recém-conquistada fama.
“Tudo bem,” ele disse a respeito da onipresença das fãs gritando. “Mas eu tento não deixar que isso não me afete demais”.
Sua mãe, Jan Spencer, que se mudou de Poplar para Idaho com sua família em 1991, relembrou a reação de seu filho quando ela o acompanhou na premier este mês no sudeste da Califórnia.
“Foi realmente muito intenso e louco, muitos gritos”, ela disse. “Ele sempre foi uma pessoa tranquila, então ele leva isso tudo numa boa. Ele não se envolve tanto nisso tudo”.
O primo de Chaske concordou.
“Ele é ótimo, pé no chão, um cara muito inteligente”, Richard Peterson, residente em Poplar, disse. “Ele tem uma cabeça em cima do pescoço”.
Jan Spencer acrescentou que seu filho é um bom trabalhador e fica focado. Ela também creditou a ele, ser um bom observador quando criança e um artista em imitar os outros.
Por cinco anos, de 1987 até 1991, Chaske Spencer viveu com sua família em Poplar e voltou no verão passado para uma longa visita.
Antes de se mudar para Poplar, a primeira audição de Spencer foi Lewiston, Idaho, quando ele tinha 10 anos. Ele fez o teste para “Você é um bom garoto, Charlie Brown.”
Em Poplar, sua mãe relembra seu filho cantando em ma peça de Natal da escola e participando de um programa de arte dramática Helena durante o verão de 1987.
Enquanto Chaske pode não ter imaginado seu futuro como um ator de sucesso, sua mãe não tinha nenhuma dúvida.
“Ele queria fazer audições e tinha um interesse real em atuação, filmes, artes, música – e por aí vai”, ela disse.
Quando Chaske tinha 17 anos, alguns amigos de seus pais convidaram a família para o First Americans in the Arts Awards, na Califórnia. Foi lá que, pela primeira vez, ele cruzou com a nativa de Great Falls, Rene Haynes, uma diretora de elenco de Los Angeles reconhecida por escalar nativos americanos.
“Rene Haynes estava lá e disse: ‘Esse rapaz tem talento de verdade,’” Jan disse. “E eu meio que sempre soube, porque ele é tão determinado.”
Peterson relembra seu primo como criativo com uma imaginação fértil. Sua confiança em Chaske estava lá desde o começo também.
“Ele buscou a atuação de verdade. Ele estudou com algumas pessoas ótimas,” Peterson disse. “Você sabe que ele vai tentar dar tudo de si.”
Chaske passou algum tempo no Lewis-Clark State College, em Lewiston, estudando cenas, personagens de filme e vídeo, antes de decidir que era hora de pegar a estrada e tentar a sorte na Big Apple. Com 100 dólares no bolso e uma passagem só de ida, ele foi para Nova Iorque.
O que deu coragem a ele para tentar algo assim?
“Pura estupidez. Acho que não pensei de verdade sobre isso.” Chaske disse. “Então, eu faria de novo? Provavelmente sim. Sempre gostei de correr riscos assim. Não recomendo isso para todos.”
O esforçado ator perambulou por alguns sofás até conseguir um trabalho em 2 ou 3 dias, servindo mesas. Depois disso, sua lista de empregos inclui trabalhos como bartender, faxineiro e modelo.
“Eu detestava isso, era um saco,” ele disse sobre ser modelo. “Mas ganhava algum dinheiro com isso.”
Ele logo começou a praticar seu ofício, fazendo aulas de atuação e conseguindo o papel de Drácula numa produção fora da Broadway.
Então, tudo mudou.
A mulher que ele havia encontrado com seus pais na viagem à California o escalou para o filme de 2002, “Skins – Os Outros Heróis Americanos,” sobre um oficial de polícia da tribo Lakota Sioux, em South Dakota.
“Ela alterou minha vida,” disse Chaske sobre Haynes, graduada pela C.M. Russell High School.
Haynes disse que Chaske chegou de última hora no processo de audição. Pouco antes de tomar sua decisão final de elenco, o amigo dos pais de Chaske, Bob Hickswas estava conversando com Haynes e mencionou Chaske.
Na época, o ator não tinha um agente, então ele não tinha sido inscrito para o filme. Haynes entrou em contato com ele e conseguiu para ele uma audição gravada da noite para o dia.
“Foi realmente um daqueles momentos ‘parem as máquinas’. Como eu disse, estávamos prestes a escalar outra pessoa – mas quando recebemos a fita do Chaske, tudo mudou,” ela disse. “Ele tinha a aparência ideal, e era um excelente e habilidoso ator.”
Em seguida a “Skins,” Chaske apareceu na mini-série de TV de Steven Spielberg “Into the West,” antes de Haynes escalá-lo na série “Twilight”.
“Você sabia que ele ia fazer algo grande, mas foi surpreendente quando ele conseguiu um papel premiado assim,” Peterson disse, e acrescentou que a autora da série, Meyer, contou ao diretor do filme que, quando ela imaginava o personagem Sam Uley nos livros, Chaske é quem ela visualizava.
“Chaske é um ator talentoso que batia com a descrição do papel – então para mim foi sempre óbvio que ele devia ser considerado para ‘Sam,’” Haynes disse. “Entretanto, houve muita competição para ‘Sam’ — e para todos os papéis do Wolf Pack — então não foi um processo simples, fácil. Vimos centenas de audições para cada personagem.”
Chaske disse que quando descobriu que tinha conseguido Sam, ele ficou surpreso, mas feliz.
“Eu não sabia se conseguiria o trabalho ou não,” ele disse. “Eu realmente gostei do papel, mas às vezes não cabe a você decidir.”
Para o filme, no qual a maior parte do tempo das cenas é passado sem camisa, Chaske disse que malhou com um treinador e ganhou 10 kg de músculos.
Bonito e forte, o ator tem traços marcantes, com uma intensidade e profundidade em seus olhos escuros. Nas fotos em que ele está sorrindo, seus olhos se suavizam e as linhas se aprofundam junto com seu sorriso.
Chaske significa “primogênito” em Lakota. Ele tem duas irmãs mais novas, e ele é um membro inscrito da tribo Assiniboine Sioux, por parte de mãe, e da tribo Nez Perce, por parte de pai.
Sua mãe disse que tentou expor seus filhos a uma diversidade de culturas enquanto eles estavam crescendo, ao mesmo tempo em que os mantinha firmes em suas raízes de sua cultura nativa americana.
Para Chaske, sua herança tem sido, ambos, uma bênção e uma sina. Ele tem muito orgulho de alguns papéis como Nativo Americano, ele disse, ao passo que alguns outros, ele fez audições apenas porque precisava do trabalho.
“É uma faca de dois gumes,” ele disse. “Perdi papéis porque não era índio o suficiente. Não consigo compreender, e não quero desperdiçar meu tempo tentando entender isso.”
Ser índio deu a ele o papel de Sam, ele acrescenta, pelo que ele é grato.
“É legal porque é muito contemporâneo,” Chaske disse. “Não é só pele e pena.”
E a exposição que ele tem recebido com “Twilight: New Moon” tem ajudado-o a conseguir papéis de não-nativos, assim como a lançar sua própria companhia de produção, a Urban Dreams.
“Os filmes da saga Twilight estão permitindo a uma nova geração de atores de Primeiras Nações serem descobertos pelo grande público,” disse Haynes. “Isso é muito legal e muito animador!”
O conselho de Chaske para os garotos que vivem em cidades pequenas e que podem estar sonhando em algum dia estar em seu lugar?
“Você tem que estudar. Estude o seu ofício. Saiba suas falas,” ele disse. “Leve isso a sério, porque tem outro cara que é mais talentoso ou mais bonito que você que pode estar por aí. Trate cada projeto como o seu primeiro.”
Haynes, Peterson, e a família de Chaske, todos concordam com seu talento inato, mas o próprio Chaske desconversa.
É sorte,” ele disse. “Eu tenho muita sorte.”
Mas não pense nem por um Segundo que toda essa fama está subindo à cabeça de Chaske. Quando perguntado sobre a coisa da qual ele mais se orgulha até agora, ele mão respondeu com um filme ou o nome de um personagem que interpretou.
“A habilidade de reconhecer quando algo é bom,” ele disse. “E de não tomar as coisas por verdade sem questionar.”







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